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Em busca do smartphone perfeito (ou: um quase review – Lumia 1020)

Bem, foram quase dois anos sem postar nada neste blog, essencialmente por preguiça, mas achei que já era hora de atualizar a página contando minhas aventuras no mundo dos smartphones. Não, este não é um blog sobre tecnologia e, se possível, gostaria de ter retornado ao blog falando sobre um outro assunto qualquer, justamente para evitar esta imagem, mas a tecnologia é algo tão enraizado no meu dia a dia que fica difícil escolher assuntos não relacionados. Portanto, esteja avisado: este ainda é um blog majoritariamente “mimimi”.

Os Smartphones

Paixão de muita gente!

Primeiro devo confessar: muitos celulares passaram por minha mão nestes dois anos, mais do que eu deveria ter comprado, na verdade. A começar, permitam-me citar o destino de meu a9330 (último post deste blog e que gerou muitas visitas, aparentemente as pessoas se interessam muito por smartphones baratos que possuem uma promessa de boa qualidade, quem diria?). Morto em combate. Sim. Era definitivamente um celular que me proporcionava muitas alegrias. Surfava pela web feliz e “faceiro” com uma enorme tela (era, afinal, um clone do galaxy note), assistindo videos no youtube entre outras coisinhas. Nosso relacionamento era, digamos, perfeito, até o dia em que a tela do aparelho decidiu que não precisava mais esperar por meus felizes dedos tocarem a tela para registrar ações. Tratei de vender o a9330, deixando clara a situação (o smartphone registrava toques “fantasma” quando a tela esquentava demais, situação que ocorre com frequêcia quando se assiste videos ou se joga no celular). Logo depois fiquei sabendo que o aparelho foi desta para melhor (o que não deixou muito prejuízo ao seu posterior dono, visto que foi vendido por um valor quase simbólico devido ao problema). Eu tinha, até então, algumas economias no bolso por ter vendido um imóvel e decidi comprar, pela primeira vez, um celular “top” de uma boa marca que não me traria esse tipo de prejuízo. Iniciava-se, então, uma nova jornada em busca do smartphone perfeito.

Minha primeira “vítima”: um samsung galaxy nexus. O aparelho era perfeito para o que eu queria, atualizações rápidas do sistema operacional, android “puro”, bom tamanho de tela, ótima câmera (para os padrões da época) e a promessa de uma longa vida útil livre de problemas. Pretendo ser sincero: este aparelho, até hoje, consta em minha lista (mental) de melhores smartphones que já passaram por estas minhas intrépidas mãos. Logo após adquirir o “bichinho”, fiz um teste de durabilidade “na marra”: uma viagem de mais de 7.000km de moto onde o coitado pegou chuva, sol, se enturmou com chaves e moedas no pequeno bolso de meu macacão, me serviu de GPS, câmera e objeto de entretenimento, foi um real companheiro. A qualidade das fotos era satisfatória e eu conseguia utilizar muito bem seu GPS para me localizar pelo sul do país. Em suma: era o smartphone perfeito, pelo menos até então. Veja, eu estava satisfeito com tudo no aparelho: da câmera ao desempenho geral até a durabilidade, não tinha um risco sequer na tela (e eu sempre tive aversão à películas e cases de celular). O problema é que o ser humano nunca está satisfeito. E eu sou humano.

Veja, minha paixão por eletrônicos vem de longa data. Minha paixão por eletrônicos portáteis mais ainda (sou da época dos walkmans, eu tinha um e era minha paixão!), mas meu caso de amor com os celulares (mais especificamente com os smartphones) começou mesmo foi com o iPhone. O terceiro, para ser mais exato. Um amigo meu havia adquirido um xing-ling clone do iphone 3 e me mostrou, o que fez com que minha cabeça explodisse: “meu Deus, eu preciso de um desses!”. Um mês depois lá estava eu, todo feliz, comprando um péssimo aparelho chinês que sequer rodava java pela bagatela de R$ 500. Acho que não fiquei com o aparelho por 3 meses.

iPhone 5

Lindão!

Mas, uma rápida avançada para o futuro e vocês já sabem: sem qualquer explicação, mesmo com um celular que atendia completamente as minhas necessidades, eu queria um iPhone. Por que eu queria? Bem, porque era uma paixão antiga, porque eu tinha o dinheiro sobrando para atender este meu capricho e porque eu estava curioso quanto à experiência (apesar de me dar muito bem com o Android). E porque, convenhamos, o iPhone 5 é, até hoje, o smartphone com design mais elegante já produzido. Sim, comprei justamente no lançamento da 5ª geração de iPhones.

Era um sonho realizado! O aparelho era do tamanho certo para qualquer bolso, tinha uma tela com qualidade excepcional (mesmo não tendo uma alta resolução), com desempenho fluído e uma pegada apaixonante: aquela mistura de carcaça de metal com partes de vidro só deixa o aparelho ainda mais com um “quê” de premium. Por um tempo estive completamente satisfeito com meu iPhone, devo reconhecer. Durante semanas um dos meus passatempos favoritos era ficar olhando para o aparelho, assim mesmo, sem fazer nada! Mas, claro, algumas paixões são passageiras e começamos à descobrir características que nos incomodam com a convivência. Pois com smartphones é do mesmo jeito!

Pra começo de conversa a experiência estilo “pendrive” que o Android oferece é imbatível quando se trata de transferência de mídia/arquivos entre um computador e seu telefone. Quem inventou essa “DRM” que é a “sincronização de dispositivos” deveria tomar uns tabefes na cara já que ela toma o controle das mãos do usuário e ainda complica sua vida. Nada, e eu digo novamente, NADA pode ser melhor do que nosso velho plug n’ play. Abrir seu dispositivo no computador e ter acesso à todos os arquivos, pode colocar e salvar o que você quiser lá dentro (um telefone android pode ser usado em substituição à um pendrive ou até mesmo à um HD portátil dependendo de quão grande é seu cartão micro SD). Então, toda vez que eu tinha vontade de colocar novas músicas ou videos no celular tinha que passar pela chatice que era sincronizar com o iTunes. E pior, isso acabava, muitas vezes, me desanimando. Só de lembrar que tinha que sincronizar, às vezes, deixava uma música nova que havia baixado de fora do celular. E com esse modelo de “sincronização”, vêm ainda mais “problemas” (ou características, depende do modo como você vê as coisas): sou um cara da época onde se organizavam suas músicas por pasta no computador. Não tinha esse negócio de playlist, ou de organizar as listas por artista, gênero, etc. Mas como estamos falando de sincronização, também estamos falando de perda do controle de como seus arquivos são salvos e organizados dentro de seu celular, o que significa que, para ouvir minhas “playlists” no celular eu tinha de montá-las, uma por uma, exatamente como eram organizadas (e já prontas) em meu computador. Não vamos nem entrar no mérito de que a câmera do telefone me deixou negativamente surpreso: uma câmera de 8mpx que me dava resultados piores do que a câmera do Galaxy Nexus. Mas a grande questão para mim acabou sendo a tela: eu simplesmente não conseguia consumir mídia com qualidade em uma tela tão pequena. Navegar era um parto, assistir videos era relativamente ok mas, em compensação, o “aplicativo” do youtube aparentava ser somente uma espécie de atalho de navegador que abria a versão mobile do site.

Por fim, já de saco cheio de ter um elegante smartphone que não me agradava nas coisas que eu mais gostava em um smartphone (navegar, ouvir música, consumir mídia em geral), o sonho acabou: vendi o iPhone 5. Eu sempre havia pensado que o tamanho do celular em si muito me agradava mas se eu tivesse uma tela mesmo que fosse pouca coisa maior eu teria continuado com aparelho da Apple. Na mesma época em que tinha o celular, comprei também um Gemei a330, uma espécie de emulador portátil de jogos (SNES, Megadrive, NES, Neo Geo, CPS1, etc..de qualidade duvidosa e que me deixou pensando: “e se eu tivesse um smartphone que reunisse todas essas características? Poderia jogar a hora que quisesse, nunca mais ficaria entediado nas aulas e ainda poderia navegar, ver videos, tudo à um bolso de distância”. Eis que surgiu o próximo candidato à celular perfeito: Xperia Play. Era barato, tinha basicamente o mesmo hardware do Xperia Mini Pro (o qual fiz um review aqui) e eu tinha certeza de que o celular me satisfaria. Um SNES de bolso, preciso falar algo mais?

Minha primeira decepção com o aparelho foi algo bem inesperado. Veja, apesar de ter um relacionamento de amor e ódio com meu iPhone eu devo admitir uma coisa: earpods são os melhores fones de ouvido (de sua categoria de fones pequenos, óbvio) que já tive o prazer de experimentar! Então nada mais natural do que eu ter comprado um par dos mesmos para utilizar com meu Xperia. O problema é que a Sony quis ser diferente de todas as outras fabricantes e coloquei a ordem dos fios ou seja lá o que for de maneira diferenciada em seus smartphones (Aka: fora dos padrões) e foi preciso fazer uma gambiarra, colando o botão do microfone dos earpods para poder ouvir música em paz. O Xperia cumpriu o que prometeu em muitos quesitos: foi um excelente emulador, inclusive de PS1, que rodava os jogos à 60fps (depois de instalado um custom firmware que me permitia fazer overclock no bichinho) porém a tela deixava (muito) à desejar com um ângulo de visão tão ruim que a imagem era prejudicada até mesmo ao utilizar o celular na horizontal (posição em que se joga no celular devido aos controles).  A tela era de plástico, além disso, e famosa por ser facilmente “riscável”, o que me obrigou à utilizar película. Também não contribuiu em nada para minha felicidade quando o aparelho começou à reconhecer todo e qualquer cartão micro SD como “danificado”, funcionando normalmente para todas as tarefas exceto para a reprodução de músicas, que travava invariavelmente a cada duas ou três faixas. O resultado deste relacionamento é óbvio: vendi pela metade do preço com menos de 3 meses de uso para um brother que se importava mais com os emuladores do que em ouvir música.

Ótimo, eu já estava começando à me irritar com a tela relativamente pequena. Era hora de voltar às origens, era hora de pegar um celular que eu sabia que iria me satisfazer em todos os aspectos. Era a hora de comprar um Nexus 5!!! Bem, normalmente meu conto de “à procura de um celular perfeito” terminaria aqui se não fosse uma pequena tragédia: consegui estragar o leitor de chip (ou: leitor de sim) do aparelho no primeiro dia de uso devido à ter estar utilizando um cartão sim com adaptador, transformando meu Nexus 5 em um tablet com tamanho de tela duvidoso. Mais uma vez, lá se vai um bom smartphone à preço de banana por conta de um defeito. Como não sou rico e minhas reservas nunca foram infinitas pra começo de conversa, era hora de comprar um celular “BBB”, e não havia opção melhor de um bom celular do que o Moto G.

Vou ser direto nesta parte: o Moto G é o melhor smartphone que se pode pensar em comprar se você tem entre 600 e 700R$ para gastar. Ele tem uma tela excelente, que dá de 10 à 0 nas encontradas em aparelhos da Sony até o Z1 (dizem que esse problema foi consertado hoje em dia), bom tamanho, quase como um iPhone mas com uma tela muito mais midia friendly (4,5 polegadas), desempenho mais do que suficiente para jogos e uso, etc. Eu diria que ele praticamente não possui defeitos, com a exceção de seu multitarefas, limitado pela quantidade de memória RAM disponível no aparelho (é realmente chato você chamar o menu de tarefas e abrir algo que estava utilizando há 2 minutos atrás e perceber que o programa precisa carregar do início novamente por conta disso) e a câmera, que deixa bastante à desejar, que é algo que realmente não consigo compreender: como podem deixar que uma câmera de um celular tão recente seja pior do que a de um Galaxy Nexus ou até mesmo o Xperia Mini Pro. E claro, sempre em meu caso existe um acidente de percurso para me fazer trocar de celular: na primeira queda, uma simples queda, de meu celular em uma calçada a tela foi completamente despedaçada. Um prejuízo total de 40% do valor do celular para recuperá-lo. Depois dessa queda decidi vendê-lo (como sempre fico desanimado com essas coisas) e chutei o pau da barraca: fiquei decidido à comprar novamente um flagship e viver o sonho de ter um aparelho high-end de novo.

Sendo a minha principal decepção com o Moto G a câmera, não é de se surpreender que eu tenha escolhido o Nokia Lumia 1020 como meu próximo aparelho. Existem, claro, centenas de análises do mesmo disponíveis na internet e não quero, portanto, fazer um review detalhado dele (não é realmente o propósito deste post). Outro motivo foi o de, curioso como sou, querer testar o windows phone e ver se eu conseguiria me adaptar. Confesso que foi uma escolha difícil de fazer, eu tinha à minha frente uma penca de modelos os quais teria condições de comprar, entre eles: Galaxy S5, iPhone 5S, HTC One M8, Galaxy Note, Lumia 1520, Xperia Z2, etc… etc… o que não falta no mercado são opções, e isso é bom.

Como podem imaginar o primeiro à ser descartado da minha lista foi o iPhone 5s pois os contras do aparelho continuavam basicamente os mesmos do iPhone 5, com a exceção de ter uma câmera aparentemente bem superior. Em seguida foi a vez do Galaxy S5: eu não estava muito animado para lidar com o bloatware da Samsung sobre o Android. Da mesma forma, por mais que fosse tentador a idéia de ter uma grande tela, acabei despachando de minha lista o Galaxy Note e aproveitando o embalo para tirar também o 1520 da lista. Sim, eu acharia ótimo uma grande tela para consumir mídia mas o tamanho do aparelho em si prejudicaria a experiência do dia a dia. Já com o Z2 foi uma questão de pura amargura. Em suma, não confio mais na Sony quando o assunto é smartphone. Sobraram, portanto, apenas o 1020 e o HTC One. Ah se o aparelho da HTC tivesse uma câmera melhor….

Nokia Lumia 1020

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Confesso que tive medo. Em todas as fotos, vídeos e reviews que olhava o 1020 parecia um trambolho construído de material duvidoso, especialmente naquela horrenda cor amarela. Devo dizer, portanto, que foi uma grata surpresa ao receber minha unidade (de cor preta, claro) notar que a qualidade de construção é impecável, e o material escolhido para a construção consegue manter um feeling de aparelho de luxo. Amigos, acreditem em mim, segurar este aparelho te traz um conforto e sensação similar à de quando possuí um iPhone: é um celular para pessoas exigentes. O círculo da câmera nem de longe é tão protuberante quanto nas fotos e não chega à incomodar no uso diário. Os botões, por outro lado, são extremamente baixos, o que atrapalha um pouco a sensibilidade do toque, coisa que me causou estranheza pois os botões do Moto G passam uma sensação superior de controle e qualidade. Outro porém é a disposição dos botões: o botão de acionamento da tela fica ao centro, enquanto os botões de volume acima. Coisa de costume? Talvez… E falando em botões não há nada melhor do que possuir um botão dedicado para a câmera. Sério, ter que tocar na tela para tirar uma foto é realmente uma chatice.

Mudando de assunto, a tela do aparelho é sensacional. Ah, como eu sentia falta de uma tela de Amoled! Pretos realmente pretos! Tão pretos que você não vai saber na maioria das vezes onde termina sua tela e onde começam as bordas do aparelho (se estiver usando o fundo preto do Windows Phone, claro). As cores também são muito vivas e é tudo muito nítido e bonito, bem saturado. Não há problemas com o ângulo de visão e o único “porém” é que, se você aprecia mais número de pixel do que qualidade, a tela possui a resolução um pouco acima do HD somente, com 1280 x 768p. Sinceramente? Em uma tela de 4,5 polegadas você tem que ser muito enjoado (ou ter visão de águia) para notar a diferença. Particularmente a resolução está do meu agrado para uma tela deste tamanho, não trocaria esta tela por uma tela LCD IPS de 1080p nunca! A bateria, por outro lado, com certeza poderia ser maior: nos primeiros dias, até pegar “as manhas” do aparelho tive que carregá-lo duas vezes em um único dia, o que eu considero como um incômodo. Depois de fuçar nas configurações do aparelho e ler algumas dicas sobre o funcionamento do sistema estou conseguindo carregá-lo apenas uma vez ao dia mas confesso que me assustei.

Os alto-falantes do garoto não deixaram à desejar. Em ambientes com pouco barulho é possível consumir mídia de forma relativamente boa desde que você saiba que está lidando com as limitações de um telefone (a exceção fica para o HTC que… bem, é uma exceção). Mas, é claro, o principal motivo da aquisição deste celular foi a câmera, e nisto, amigos, ele não deixa nada à desejar. Para nenhum outro smartphone. Ever!

Não vou falar muito sobre a câmera pois nem há muito o que falar, você simplesmente tem controle de (quase) tudo e, mesmo em modo automático, contanto que nas condições certas de luminosidade, todas as suas fotos serão maravilhosas. Em ambientes pouco iluminados é preciso fazer um ou outro ajuste mas ainda assim os resultados serão melhores do que em qualquer outro aparelho. Sério, não tem nem disputa! Abaixo deixo o link para vocês conferirem algumas fotos que tirei com o aparelho. Lembrando que não sou nenhum profissional e ainda estou em fase de aprendizado (abra a imagem para ampliar).

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Windows Phone

Então, pode-se dizer, que o aparelho em si é sensacional. Mas com cada smartphone (com suas devidas exceções) somos obrigados à “aguentar” o sistema operacional vinculado à ele. E é aqui que vão existir características que irão te dizer se você deve ou não comprar um Lumia 1020.

Em primeiro lugar devo comentar sobre a fluidez do sistema. Sim, o 1020 não tem um hardware mega parrudo mas a forma com que ele se comporta é incrível, realmente um mérito para o sistema operacional da Microsoft. Ele abre e troca de aplicativos sem nenhum engasgo. Nenhum mesmo! Outra coisa assustadora é o multitasking dele: você troca e troca de aplicativos na janela e os demais estão sempre ali, à um aperto de botão, exatamente onde haviam parado. Ao contrário do Moto G que fechava tudo quanto é aplicativo e tinha seu multitarefas basicamente como um “histórico” de aplicativos (que tinham que ser carregados novamente se você quisesse voltar para eles), aqui você pode iniciar uma tarefa, pular para outra e ficar tranquilo: quando você voltar ao que estava fazendo tudo estará lá, do jeitinho que você deixou (uma parte do mérito se deve, claro, aos 2gb de RAM do aparelho). Os menus, controles e carregamento de novos aplicativos também se aproveitam desta fluidez e você definitivamente não irá passar raiva quando o assunto é desempenho.

Uma parte que pode te fazer passar raiva, entretanto, é o restante da experiência de um sistema que tenta combinar características do Android e do iOS: a sincronização está de volta, embora seja possível acessar seus arquivos no celular como em um pendrive, as músicas e mídias são organizadas de acordo com suas tags o que, pra mim, é algo inconveniente (como já citado neste post). Outro problema é a falta de controle do usuário sobre o sistema e atalhos, coisa que creio ter sido consertada no WP 8.1 (até o iOS 7 já se encarregou de arrumar esta falha nos iPhones). A customização existe mas é bem diferente do que temos no Android, confesso que achei os tiles (algo equivalente aos widgets do Android, que dominam sua “área de trabalho”) são menos úteis do que os widgets, mas ainda assim possibilitam uma melhor experiência do que a simples lista nua e crua de aplicações que o iOS oferece. Existem, claro, alguns pequenos detalhes que podem incomodar alguns usuários (jogos ficam todos agrupados na categoria “jogos”, que oferece um único tile para se colocar na área de trabalho), mas nada que não se possa acostumar.

Poucos aplicativos? Não acho. Esse era um de meus maiores medos quando decidi fazer a transição para um windows phone e posso dizer sem medo de que tudo (ou quase tudo) o que você precisa está lá na loja. A menos que seja algo bem extravagante. O que eu uso é algo bem convencional e portanto não senti falta de nada, tenho os seguintes aplicativos em meu telefone no momento: instagram, facebook, youtube HD (app de terceiro, não oficial, mas estou para dizer que é muito superior à qualquer aplicativo oficial do youtube até o momento), banco do brasil, lanterna e muambator. Para todas as outras tarefas os aplicativos de fábrica suprem minhas necessidades com maestria (nunca pensei que diria isso mas o internet explorer do windows phone é muito bom).

Resumo da ópera? Por hora o Lumia 1020 é o smartphone perfeito para mim. Até quando? Não sei, mas para o bem do meu bolso espero que pelo menos por uns 2 anos…

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Publicado por em 12/08/2014 em Tecnologia

 

Review A9330

Bem, tanto tempo sem postar que não sei nem por onde começo. Depois de uma onda arrematadora de preguiça estou aqui para falar do meu novo celular, o “a9330”, mais conhecido como “android note” (ou, para os mais íntimos, “clone do galaxy note“).

a9330, o clone xing-ling do galaxy note

Primeiro, me deixe explicar: eu possuía, até alguns dias atrás, um Xperia Mini Pro, Sk17i, da Sony Ericsson (ainda era Ericsson). Inclusive, escrevi um review do mesmo aqui no blog tempos atrás. O fato é, em uma das poucas férias de minha vida acabei viajando para o Acre (sim, ele existe!) e passando por lá uns bons 10 dias, sem acesso à um pc que eu pudesse chamar de “meu”. Claro que, nestas condições, meu Xperia foi utilizado ao extremo e eu pude finalmente perceber o que eu preciso em um smartphone (para o meu uso). O mini pro é um excelente celular, mas sua tela de 3′ deixa um pouco à desejar (em tamanho mesmo, a qualidade de imagem é excelente). Ele (O xperia) tem uma boa câmera de 5mp e o teclado físico, que foi minha principal razão para a compra (não tinha conseguido me adaptar ao teclado touch do meu celular anterior, que tinha uma tela de 3,5′). Quem foi corajoso o suficiente para ler os posts antigos deste blog deve lembrar que, em certa ocasião, declarei guerra aos celulares (eu continuo odiando os aparelhos telefônicos). Na verdade, o celular é o de menos.

Confesso que sou apaixonado por tecnologias e um aparelho que navegasse na net de qualquer lugar (ok, “quase” de qualquer lugar) seria como um sonho realizado. Com essa viagem ao Acre, percebi que o que realmente me importa nos smartphones é a capacidade de navegação, instalação de aplicativos, reprodução e criação de mídia (músicas, videos, fotos), etc. Meu uso de celular, pode-se dizer, é 98% como um “tablet”, e 2% como um celular (mais para receber ligação de mãe do que tudo. É, eu sei, mães…). Em resumo, o que importa é que percebi que eu precisava de um aparelho com uma tela maior. Aliás, quanto maior, melhor! Sendo assim, vamos começar a falar da característica principal do a9330: o tamanho.

Ele é um celular grande, não há como negar. Sua tela de 5.0′ impressiona no tamanho e, pasmem, na qualidade. A qualidade das imagens é bem nítida e o brilho mínimo pode ser utilizado dentro de ambientes sem problemas. Quando à céu aberto, com sol, é necessário utilizar a tela com o brilho máximo (da mesma forma que o Xperia). O touch é super responsivo e confiável e até o momento não apresentou problemas, é bem sensível e você não acreditaria que ele é um xing-ling se eu não tivesse te contado.

Claro que nem tudo são flores. Ter um celular com uma tela deste tamanho implica em um pouco mais de dificuldade para carregá-lo por aí. Sou adepto dos shorts com bolsos laterais que minimizam este problema mas, no trabalho, onde existe a obrigatoriedade do uso de calças, ele atrapalha. Não é algo com o qual não se possa acostumar mas, com o Sk17i, era fácil esquecer que o celular estava no bolso. Como meu transporte diário é uma motocicleta (minha paixão) também fica um pouco complicado pois, ao dobrar-se as pernas, o celular encosta em você, apertando sua cintura. E, pra não deixar nenhum detalhe de fora, ele sequer fica completamente escondido em algumas calças jeans com bolsos mais rasos. A parte boa é que você ganha uma tela onde não é preciso sequer dar zoom nas páginas (navegador testado: Opera Mini) para ler com conforto, contando com uma resolução de 800×480. Mas se você quiser, pode utilizar o zoom (com pinça) para facilitar a leitura. E sim, ela é multi-touch capacitiva com suporte a até 5 toques simultâneos. Legal né?

O celular já vem com o Android 4.0, Ice Cream Sandwich, o qual não detalharei aqui, por enquanto. O que posso adiantar é que o sistema roda fluído, sem travadas, e administra bem a memória do celular. E falando em desempenho, o garotão aí não tem só tamanho não. Meu querido a9330 vem com um processador de 1.0Ghz e 512mb de ram. Nada mal para um xing-ling. Isso, na prática, significa que ele consegue fazer qualquer tarefa que um smartphone normal precise fazer sem lhe causar dor de cabeça ou erros e lentidão. Obviamente que, com os novos aparelhos quad-core surgindo no mercado, não posso exatamente classificá-lo como “potente”, mas para um xing-ling de 600R$ (sim, você ouviu bem) não poderíamos exigir muito mais, certo? O que posso garantir é que a performance dele é similar à de outros celulares com os quais tive contato, como o Xperia Mini Pro (que usa o mesmo hardware do xperia play, por exemplo) e o Defy+. Outro detalhe bacana é que o aparelho possui 500mb internos para instalação de aplicativos, 2 gigas de memória interna (um “cartão” que não pode ser removido) e ainda, de brinde, acompanha um cartão micro Sd com 8gb, o que totaliza aí mais de 10gbs para você guardar suas coisas. Nada mal para um smart nessa faixa de preço.

Um detalhe interesse é que, ao contrário do que acontece em outros casos, o aparelho “aproveitou” seu tamanho e trouxe consigo uma excelente bateria (dá pra notar o “exagero” no tamanho dela). O que posso dizer sobre ela é que, para o meu uso, é o ideal. Sou das antigas, de uma época em que era preciso recarregar o celular uma vez por semana e podia-se ficar tranquilo (meu saudoso nokia “tijolar”), e confesso que não tenho muita paciência pra ficar colocando o celular o tempo inteiro no carregador ou ficar “regulando” uso de internet pra não ficar sem bateria. Neste quesito, o a9330 dá um show, especialmente graças à sua bateria de 2.500mAh. Deixe-me contar sobre as minhas experiências com o grandão: com um uso intenso de 3g, brilho no máximo e o dia inteiro fora de casa, cheguei com a bateria acima de 50%. Com meu uso normal, entretanto, bem… vamos explicar isso melhor.

Como eu disse, sou adepto da tecnologia mas detesto telefones. Não passo muito tempo em ligações e, no máximo, mando alguns sms num dia. Como o principal motivo de ter um smartphone é para conseguir fazer coisas que eu faço no computador em qualquer lugar, se eu estiver na frente de um computador, não há motivo para usá-lo, certo? Acontece que meus dias são basicamente na frente de computadores (no trabalho, em casa e na faculdade de Sistemas), ou seja, eu uso pouco o celular no dia-a-dia. Mesmo com esse uso pra lá de moderado meu ex-peria (haha) chegava em casa com 60% ou menos de bateria, o que me obrigava à recarregar sua bateria todos os dias (deixava carregando enquanto dormia). Qual não foi a minha surpresa ao fazer o teste de duração com o a9330 e ver ele chegar, com 40% de carga, à 138 horas de uso! (Quase 6 dias). Sim, você leu corretamente. Fiz questão, inclusive, de tirar uma foto para comprovar. Lembrando que não desliguei o celular em momento algum, fiz algumas transações bancárias, naveguei um pouco, fiz e recebi ligações, chequei meu twitter e facebook no trabalho e na rua, liguei o celular apenas para mexer nele (gosto disso) e até joguei um pouco pra me distrair. Você pode ver na foto ao lado a mensagem do Battery Indicator sobre o número de horas em que ele ficou “desplugado” do carregador.

E falando em jogos, pra testar o desempenho dele nesta tarefa procurei por jogos 3D e posso dizer que o desempenho foi similar ao smart da Sony. Testei aqui com uns joguinhos (entre eles temple runner) e roda liso, sem engasgos. Infelizmente não pude testá-lo ainda com Dead Space, como fiz com meu celular anterior, mas creio que funcione sem maiores problemas. Obviamente o a9330 não se trata de um celular high-end, portanto, não espere rodar jogos HD da gameloft, por exemplo.

Em relação ao design do aparelho, bem, é questão de gosto, certo? Eu o achei bem acertado, embora tenha uma tampa traseira que poderia ser lisa e de melhor acabamento (e sem as escritas “android” atrás, que praticamente o acusam de xing-ling). A construção da carcaça é sólida e as laterais simulam metal e ao que tudo indica possui um hardware resistente. Ele é dual-chip, se você liga pra essas coisas (particularmente tenho apenas 1 linha e acho o suficiente) e conta com botões de volume, power, botão central, 2 botões touch (voltar, menu) e um botão dedicado para a câmera, o que é sempre bom (embora eu prefira utilizar o disparador da câmera do android, no touch).

Outro ponto positivo é a conectividade. Não sei ao certo se é um problema de frequência ou incompatibilidade do modelo internacional do Xperia mas, depois de um certo tempo, reparei que o mesmo não se conectava à rede 3G e sim apenas à rede convencional Gprs (que, convenhamos, é uma porcaria). Com o a9330 isso não acontece, consigo acessar 3G de qualquer local de minha cidade e a navegação é rápida e tranquila, sem jamais deixar cair ou diminuir o sinal. O alcance de seu wi-fi, por outro lado, é normal como o de qualquer celular (o que não é ruim e nem bom, apenas se encaixa nos requisitos mínimos).

Os pontos negativos, em minha opinião, ficam para a embalagem (se você liga pra isso) que é tosca e sem informações (bem aquela coisa de “mp50” mesmo). Falta manual, mas todos os acessórios básicos estão lá: carregador de parede, caso usb, uma capinha plástica para a traseira (que não protege nada) e os fones de ouvido.

Aliás, os fones de ouvido, como esperado de um chinês, não são lá essas coisas. Não são horríveis mas como eu sou meio enjoado pra qualidade sonora eles me incomodam um pouco. Eu sei que fica complicado comparar com os fones da Sony (o do Xperia era sensacional) mas mesmo assim poderiam ter caprichado melhor. Como vendi meu Xperia juntamente com os fones, tratei de deixar os do android note na caixa e estou utilizando uns da philips que tenho aqui, que também são ótimos. Ah, ele vem também com uma antena para tv analógica mas, quem liga pra isso, certo? Esses chineses não desistem…

E por último (espero não estar esquecendo nenhum detalhe), vou comentar rapidamente sobre a câmera e o preço. Ele possui câmera de 8mpx (reais) os quais pude comprovar com algumas fotos (não sou muito de tirar foto, mas é sempre bom ter para não perder o “momentum“). Como era de se esperar a qualidade das fotos varia muito de acordo com a iluminação do ambiente. Existem ajustes na nova câmera do ICS que podem ajudar à melhorar mas não espere milagres pois o flash é fraco e câmera de celular nenhum presta pra tirar fotos à noite. Meu antigo Xperia, apesar de ter “apenas” 5mpx, lidava um pouco melhor com diferentes nuances de iluminação e a qualidade das fotos parecia ser ligeiramente superior. Como referência, deixo ao fim do post algumas fotos que tirei com o a9330 (o link pois o wordpress não aceita fotos deste tamanho). Ele ainda possui uma câmera frontal de 1.3mpx, que dá para o gasto se você se interessa em fazer video-chamadas.

Mas e aí, vale a pena comprar um a9330? Pra mim, valeu (pelo menos por enquanto). O preço é tentador (600R$ em média) e o desempenho é condizente com seus concorrentes de preços similares e até alguns mais caros, além disso, ele já vem com o Ice Cream Sandwich, o que é um detalhe importante neste momento onde muitos modelos importantes estão sendo abandonados por suas fabricantes (mas não espere atualizações para um xing-ling). O que importa é se você está disposto à sacrificar um pouco de espaço para carregá-lo e não tem vergonha de andar com um “tijolo” na mão. E quando eu digo tijolo estou me referindo apenas ao tamanho pois surpreendentemente ele pesa apenas 199g (com bateria) contra os 320g do xperia mini pro!

A conclusão que tiro é que finalmente os chineses estão começando à entender o que o mercado está pedindo e, meu palpite, é de que os xing-lings dominarão uma fatia ainda maior do mercado num futuro não muito distante. Os coreanos que se cuidem!

PS: Abaixo seguem os links para as fotos tiradas com o celular, clique acessar e tire suas próprias conclusões! E se possível, deixe seu comentário :)

Foto 1

Foto 2

Foto 3

 
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Publicado por em 28/07/2012 em Tecnologia

 

Análise – Nintendo 3DS

Uma das piores coisas que acontecem quando se fica velho, ou pelo menos relativamente velho, é a diminuição (ou fim) da frequência de presentes em nossos aniversários. Se por um lado a “velhice” nos obriga à trabalhar (saudade da minha infância, snif snif), pelo menos temos a oportunidade de nos auto-presentear (já que na teoria trabalhar significa ter dinheiro). E foi o que eu fiz: me dei um Nintendo 3DS de presente! Estou com o portátil há exatos 15 dias e creio que já possa falar um pouquinho sobre ele, então, aí vão minhas primeiras impressões.

Começando pelo hardware em si, o acabamento é muito bonito, bem superior ao meu antigo Nintendo DS lite (preto fosco). A traseira, de cor diferente, dá um ar hightech, e o acabamento da pintura na tampa superior é em gradiente. A própria pintura, estilo metálica, é sensacional (embora obviamente fique sujeita à muitas marcas de dedos, o que é comum nesse tipo de pintura). Ao abrir o aparelho também é possível notar o cuidado com o acabamento, especialmente na tela de cima (3D). A tela inferior segue o mesmo padrão do DS Lite, com uma pequena elevação que a “cerca”. Os botões e direcional são basicamente os mesmos do seu antecessor, com um pequeno ponto negativo para o direcional, pintado em tinta brilhante (e não fosco como no DS) que atrapalha na “pegada” na hora de jogar. Aliás, tá pra nascer direcional mais ruim do que esse heim? Infelizmente a Nintendo optou por manter o mesmo D-Pad do modelo anterior, que já era ruim. É pequeno e tem um péssimo grip (agora ainda mais, pintado em cor brilhante). E ao que tudo indica, o mesmo direcional ridículo será utilizado no controle do WiiU. Será que algum dia voltaremos à ter direcionais emborrachados e grandes (e eu arriscaria dizer: perfeitos) como os do SNES? Oremos.

Ainda falando dos botões do portátil, o grande atrativo é o circle pad, uma solução extremamente elegante de direcional analógico para um dispositivo portátil, bem parecido com o próprio analógico do PSP (portátil da Sony). A pegada é muito boa, embora possa ficar escorregadio se você é do tipo que sua demais ao jogar. Seu curso é curto mas cumpre bem o papel e dá pra jogar tranquilamente por um tempo razoável sem sentir dores ou cansaço. Apesar de pequeno ele encaixa bem até mesmo em meu polegar (que é grande). A sensibilidade é razoável, não tão boa quanto a do Nunchuk, mas a maioria dos jogadores não irá sentir falta de tanta sensibilidade assim. A disposição de alguns botões de função, por outro lado, mudaram: no lugar onde se encontrava um slider que ligava o console (lado esquerdo) agora existe algo semelhante mas que liga e desliga o wi-fi, uma solução muito prática para os dias de hoje. O botão de liga/desliga, por outro lado, foi movido para onde ficava o “start” no DS. Cheguei à desligar meu 3DS no meio de uma partida achando que estava apertando start. Aliás, uma das coisas que mais detestei foram os novos botões de start e select, no estilo “botão de microondas”, que fica meio embutido abaixo da tela de toque. O acréscimo do botão “home”, por outro lado, foi algo muito bem vindo.

Aliás, todo o novo sistema do 3DS foi muito bem feito. Agora é possível pausar seu game utilizando o botão home da mesma forma que é feito no Wii, pode-se fazer anotações num bloquinho de notas e depois retornar para o jogo, ou checar se tem amigos online para participar de uma partida multiplayer. E falando em multiplayer, o sistema de amigos teve uma ligeira melhora: agora os friendcodes são únicos por console, não por jogo, o que significa que você não precisa ficar adicionando amigos entre cada jogo. O sistema, por outro lado, ainda precisa de melhoras: não é possível trocar mensagens com os amigos e a única coisa que você pode escrever é uma pequena mensagem de uns 15 caracteres. Além disso, você pode ver quais amigos estão online, seus jogos favoritos, qual game estão jogando e quanto tempo faz desde que ficaram online pela última vez. Por fim, existe um botão que te permite entrar na partida de algum amigo (caso estejam com o mesmo game no slot de cartucho, obviamente). E basicamente é isso, não há mais nada que se possa fazer no sistema de amigos, pelo menos por enquanto (espero que a Nintendo acorde e mude isso, como ela espera criar uma rede decente e entrar na era multiplayer sem um sistema que no mínimo permita o chat entre amigos?)

Ainda falando das funcionalidades embutidas no portátil, existe muita coisa para se fazer, mesmo que você não tenha nenhum jogo: inicialmente você pode tirar fotos em 3D, fazer videos e, com os programas certos, assistir videos baixados e convertidos em 3D (side-by-side, ou top-bottom) no próprio aplicativo da câmera (testei um trecho de Avatar e ficou excelente), entretanto, só consegui que o aplicativo reconhecesse videos rodando à não mais que 20 frames por segundo. O portátil segue também com alguns AR Cards, cartões de realidade aumentada, que possibilitam um ou dois joguinhos interessantes, bem como “Face Raiders“, outro jogo de realidade aumentada que tira uma foto do rosto do jogador e o transforma em um inimigo, que deve ser combatido pelo jogador em seu próprio espaço (o jogo usa como cenário o ambiente que as câmeras capturam, é muito bacana).

Outra adição interessante é o registro de atividades, que lhe mostra quanto tempo foi gasto em cada aplicativo e jogo (muito útil para saber quanto tempo determinado jogou lhe “tomou”. Eu, por exemplo, precisei de 34 horas para finalizar Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D). Além disso você conta com um navegador (meia boca) de internet e a loja de aplicativos e jogos, eShop, que tem muita coisa bacana. Dá para se perder por horas procurando jogos, assistindo trailers, o Nintendo 3D show (uma espécie de jornalzinho curto sobre games) e baixando algumas (poucas) coisas gratuitas. Obviamente existem os aplicativos e jogos pagos, mas achei os preços um pouco fora do que eu estaria disposto à pagar por games digitais. Um dos aplicativos (gratuito) que baixei, e recomendo firmemente, chama-se Nintendo Video. Ele baixa automaticamente videos em 3D (em geral video-clipes de música e alguns curta metragem, como as tirinhas “Dinossaur Office”) o que pode lhe entreter também, especialmente se o efeito 3D é novidade pra você. A parte negativa é que você não pode salvar esses videos e eles ficam disponíveis somente por um determinado período: são 4 “slots” de video e quando um novo video é baixado o mais antigo é deletado. Mas e aí, quando é que vou falar do que interessa? O 3D e os jogos, certo? Vamos lá.

Possuo atualmente dois jogos, Legend of Zelda (como já mencionei) e Resident Evil: Revelations, e posso dizer que me surpreendi com os gráficos (especialmente os do último). São muito bonitos e eu não esperava um desempenho tão grande vindo de um portátil da Nintendo (que tem a filosofia de priorizar diferentes experiências e não gráficos poderosos), o salto entre o DS e o novo portátil foi enorme. Sou meio suspeito em falar mas os gráficos aparentam estar no mesmo nível ou talvez um pouquinho superiores aos de RE4. Em defesa de Resident Evil 4, os cenários de Revelations são bem fechados, o que com certeza contribuiu para que esses gráficos fossem possíveis. Os modelos dos personagens (especialmente a Jill) são incríveis, muito bem detalhados e no nível que estamos acostumados à ver em várias produções dos consoles de mesa atuais. Não vou me ater à detalhes do jogo (possivelmente farei um review assim que terminá-lo), mas o poder do portátil me deixou surpreso. Falando do efeito 3D neste jogo, especificamente, a profundidade é boa mas é difícil enxergar uma tela limpa por conta do efeito “fantasma” (mesmo na posição correta de visualização, em alguns momentos, especialmente com cenários escuros em meio à partes iluminadas, você acaba enxergando um vulto dobrado do personagem, mesmo fechando 1 dos olhos, o que teoricamente deveria eliminar a duplicidade se olhado do ângulo correto). Em Zelda, por outro lado, o efeito foi melhor aplicado e a profundidade é muito satisfatória. Existem poucos momentos onde os “fantasmas” ficam visíveis. É importante ressaltar que o efeito 3D faz pelos gráficos do jogo nenhuma combinação de filtros poderia fazer: os cenários se tornam mais vivos, mais belos e mais “acreditáveis”. A noção de distância fica excelente (por várias vezes olhei para uma plataforma e pensei inconscientemente: não vou alcançar), coisa quase impossível de se fazer com jogos exibidos de forma convencional. Infelizmente não dá para descrever a sensação mas depois de jogar em 3D você não irá mais aceitar jogar em 2D (a menos que você não enxergue bem o efeito ou tenha dores de cabeça).

Sim, os gráficos são exatamente assim! ( Mas em 3D fica muito melhor! )

Em videos a qualidade do 3D me impressiona ainda mais e em nenhum momento (de nenhum video) enxerguei imagens duplicadas ou fantasmas, o que me leva à crer que o bom efeito 3D depende da boa implementação por parte das equipes de desenvolvimento de jogos. Sendo assim, creio também que seja questão de tempo até que as produtoras aprendam melhor sobre os segredos de como se programar no portátil, ou seja, a tendência é que o efeito fique ainda melhor. Só um aviso: se você está esperando imagens saltando da tela como no cinema, pode ficar um pouco decepcionado. É verdade que existe tanto a profundidade como o inverso, com imagens ficando bem próximas à você, mas o efeito não chega à ter tanto impacto ou ficar tão bom quanto nos cinemas. Entretanto, quando mostrado para meus primos um video de Avatar, fui informado de que o efeito é melhor do que os das televisões (infelizmente não tive acesso à uma TV 3D ainda). Porém, tirei uma foto com a stylus (caneta para a tela touch que acompanha o portátil) “meio que” apontando para a tela e o efeito ficou muito bacana. Novamente, talvez seja uma questão de adaptar melhor o efeito para a pequena tela do portátil. Vale dizer também que mesmo com 5 horas ininterruptas de jogatina (como eu amo feriados prolongados) não tive quaisquer dores ou cansaço nos olhos, ou seja, esses tais efeitos colaterais do 3D variam de pessoa para pessoa (existem muitos relatos por aí de gente com enjôo, dores de cabeça, etc, por causa de longas sessões de jogatina). A própria Nintendo recomenda pausas a cada 20 minutos mas, what the hell, certo?

Por fim, existem algumas “falhas” de design no portátil que indicam, teoricamente, que haverá uma “revisão” de hardware como aconteceu com o DS/DSLite. A borda da tela inferior, quando se fecha o portátil, toca na tela superior, o que andou causando riscos à algumas telas do portátil e gerou insatisfação de proprietários por aí. Por precaução estou utilizando um paninho em cima da tela toda vez que vou fechar o console. Outro “problema” é a falta de um segundo analógico do lado esquerdo, meio que obrigatório para os games de hoje em dia, em especial os de tiro em primeira pessoa (que provavelmente farão muito sucesso em 3D no portátil). Para corrigir esse errinho de projeto (tem quem ache que não há erro…) a Nintendo lançou um acessório batizado como Circle Pad Pro, que se encaixa no portátil (deixando-o menos portátil e um tiquinho menos bonito também) mas que adiciona um analógico do lado direito e dois botões extras nos “ombros” (somando ZR e ZL aos já existentes L e R). Entretanto, esse acessório tem que ser suportado por cada software, ou seja, ele funcionará apenas quando as empresas implementarem essa função no jogo. Atualmente os jogos que suportam tal acessório são Resident Evil, Metal Gear Solid e Kid Icarus (este último apenas como opção para quem é canhoto poder segurar a stylus na mão esquerda). Por via das dúvidas, e imaginando que uma possível nova revisão pode vir já com a adição desses botões extras, tornando o acessório quase obrigatório para futuros jogos, já encomendei o meu no eBay (custa apenas 19$).

Por fim, voltando ao aspecto físico do 3DS, ele apresenta (para o meu uso) o mesmo problema do DS quanto ao seu formato (nada anatômico). Por ser quadrado e pequeno, o portátil pode ser desconfortável para sessões de 15 ou mais minutos consecutivos pois não há espaço para todos os dedos na parte traseira do console (segundo as más línguas o Circle Pad Pro ajuda um pouco), especialmente para quem tem mãos grandes. Existem por aí alguns acessórios que melhoram a pegada mas quem é que quer viver com um monte de quinquilharias na mochila para jogar um portátil, certo? Lembro-me da ergonomia do PSP que encaixava mais confortavelmente em minhas mãos para jogar (e o PSVita aparentemente segue o mesmo conceito).

Prós e contras contabilizados, ando bem satisfeito com meu 3DS. A lista de jogos e quantidade de lançamentos mensal ainda precisa crescer um pouco mais para que eu o considere um verdadeiro sucessor do DS (uma obra prima) mas eu acredito no portátil. O efeito 3D surpreende e só quem vê ao vivo pode entender a qualidade do efeito (e se surpreender por ser tão bom em uma tela tão pequena). Algumas falhas de projeto, entretanto, precisam ser corrigidas para que o portátil atinja o nível que todos esperamos. Ah, e se você está se perguntando sobre a duração da bateria, posso dizer que é bem pequena (um pouco menos de 3 horas com tudo ligado no máximo, brilho, wi-fi, 3d, etc…). Mais poder de processamento, imagens em 3D e conexão wi-fi, exigem mesmo da bateria e a única coisa que podemos fazer é nos acostumar com isso, virar “amiguinhos” do carregador mesmo. Donos de smartphones (e PSP’s também, pra constar) já estão nessa há muito tempo e eu não vejo ninguém desistindo de seus aparelhos por conta disso. Quer autonomia de bateria compre um game boy classic e se divirta jogando um 8 bits por 20 horas com um par de pilhas alcalinas. Ou espere (sentado) por uma nova versão do portátil com uma bateria maior (e mais cara).

 
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Publicado por em 02/05/2012 em Games, Tecnologia

 

Mass Effect 3

Muita correria esses dias, trabalho, faculdade, mas, entre um pé torcido e uma internet que não abria o wordpress nem com reza (desculpa para não postar nada no blog), salvei o mundo dos reapers no tão esperado Mass Effect 3. Pra ser sincero já vou logo falando: o final do jogo deixa (muito) à desejar. Mas volto nisto depois que comentar outros aspectos do game.

Em termos técnicos o jogo evoluiu bastante desde Mass Effect 2. Os gráficos estão bem trabalhados e a engine do jogo foi muito bem otimizada (lembrando que joguei no PC), joguei com tudo “no talo” e o jogo não perdia rendimento mesmo nas horas de ação mais intensa. O único detalhe, falando ainda do desempenho, era uma pequena queda, quase imperceptível, da taxa de quadros dentro da Citadel, mas nada preocupante.

Uma das coisas que me agradou muito foram as side-quests, todas muito bem elaboradas e com um pano de fundo. Não são simplesmente missões de “vá lá e mate 5 trolls”. Todas elas contam com muitas falas, reviravoltas, surpresas, etc. Ficaria até complicado dizer quais são as missões principais da aventura se o menu de quests não estampasse a prioridade delas. Aliás, as tarefas secundárias de ME3 deveriam ser escola para outros jogos, tanto é que eu fiz questão de cumprir TODAS antes de finalizar o jogo.

E falando em finalizar o jogo, posso dizer que achei o jogo curto. No total, sem deixar nada pra trás, foram 30 horas de luta para salvar a galáxia. No segundo game da trilogia me lembro de ter beirado as 50 horas. Ficou bem na cara que os elementos de RPG (especialmente a exploração, como vendedores em diferentes planetas e locais) foram deixados de lado em prol de um gameplay mais linear. As lojas (me corrijam se eu estiver errado) se resumem à um pátio dentro da Citadel. Por outro lado, foi colocado um sistema de compras “online” à bordo da Normandy, o que faz com que você, após ter acessado as lojas uma vez, não precise mais estar na cidade para comprar seus equipamentos (o que torna as lojas físicas inúteis após a primeira visita). Ponto positivo é a inexistência daquelas explorações chatas de planetas em busca de materiais para criar upgrades para sua nave, o que é um alívio. Entretanto, ficou para trás também o quesito exploração, ou seja, você não vai de planeta em planeta procurando quests e lojas, o que tira um pouco do direito do jogo se entitular um “rpg”. Na verdade eu diria que ME3 é um shooter em terceira pessoa com elementos de rpg. Uma adição bem bacana foram as (poucas) fases na escuridão onde uma lanterna ilumina seu caminho. Coisa boba, eu sei, mas sou apaixonado por esse tipo de ambientação (Dead Space 2 que o diga!).

O grande trunfo de Mass Effect, na verdade, são os diálogos. São de uma qualidade extraordinária (embora algumas vozes se repitam às vezes) e em grande quantidade. Realmente não economizaram nos diálogos. A grande sacada aqui é a possibilidade de ouvir o que o protagonista diz (coisa que falta em praticamente todos os rpgs, com a exceção do excelente The Witcher). O lado ruim fica para o sistema de intenção nas falas. Explico: você não escolhe exatamente o que o protagonista irá dizer, mas sim a mensagem que você quer passar, o que pode ser um pouco frustrante em algumas situações quando você acaba dizendo algo que não era exatamente aquilo que gostaria, ou da maneira que gostaria. Meu Shepard, por exemplo, era um filho da puta que faria qualquer coisa para vencer (bem no estilo Cerberus mesmo) e, ainda assim, ao escolher respostas maldosas, ele seguia com uma fala sensível, passando a mensagem nas entrelinhas, o que me frustrava bastante. E nem estou citando cutscenes onde ele, sem mais nem menos, era um bom samaritano dando uma de psicólogo. Um ponto que não me agradou muito nas falas foi a simplicidade das escolhas, praticamente um sistema de “sim” ou “não”. Em uma das oportunidades, uma das raças da galáxia foi exterminada simplesmente porque eu deveria escolher “a” ou “b”, não havia meio termo, nem uma tentativa de negociação, NADA! Novamente, algo que meu Shepard não faria se eu realmente estivesse no controle do personagem. Oras, se você cria um sistema de escolha e consequência dentro do jogo você não deveria apenas assistir o que acontece e sim participar ativamente dos fatos. Também vale comentar que não gosto do sistema de paragon/renegade para liberar algumas falas. Na maioria das situações meu personagem usaria as falas “renegadas” (vermelhas), entretanto, por não ter “reputação” o suficiente, muitas vezes essas opções mantinham-se bloqueadas, me deixando com falas mais “mansas” do que eu gostaria.

À uma certa altura do jogo você será questionado à invadir a base Cerberus, não podendo mais retornar para a “exploração” se entrar nessa quest (teoricamente a missão final). Dali por diante o jogo se torna completamente linear. O problema é que, depois de aceitar essa missão, você ainda tem pela frente umas 5 (???) horas de jogo, dependendo de suas habilidades (confesso que, ao chegar no planeta terra, demorei à conseguir passar por uma certa parte). Na verdade, se destaca ali o que o jogo realmente é, com seu gameplay maravilhoso de tiro em terceira pessoa, suportado por uma história bacana (e não o RPG imersivo e enorme que ME2 foi). A parte ruim para os fãs (como eu) é sentir um clima tendendo mais para Gears of Wars do que para Mass Effect 2.

SPOILERS (a partir daqui leia por sua própria conta e risco)
 

Depois de muita luta, quests bacanas, é hora de se despedir de seus companheiros, escolher seus 2 “wing-mans” (ou girls, como foi meu caso) e partir para o ataque final. Após ter ouvido muitas reclamações sobre o final (mas fiz questão de não ler spoilers pois não queria estragar a “surpresa”) me deparo com uma cena muito bacana onde Shepard, correndo para alcançar uma espécie de teletransporte, é atingido em cheio por um raio dos reapers. Pensei: “pronto, é esse o fim de que todo mundo reclamou”. Achei que ali, tendo sua resistência esmagada pelos reapers, o ciclo de extinção das raças continuaria (o que, pra mim, seria um excelente final, podendo mostrar todos os soldados sendo dizimados, etc…). Porém (infelizmente), não era o fim. Shepard miraculosamente sobrevive ao disparo laser e segue mancando para o teletransporte, entra na Citadel e após muito blá blá blá consegue salvar a galáxia (de uma de três formas com pequenas alterações).

Não vou ficar resumindo final aqui, até porque existem muitos lugares onde você pode obter essas informações, mas li um post no Girls of War que expressa bem as minhas frustrações com o final. Poxa, 3 jogos, no mínimo 100 horas de jogatina para qualquer ser normal, muito dinheiro (some aí 3 games de pelo menos 100R$), pra um finalzinho de 3 minutos sem NENHUMA explicação (e cheio de furos de roteiro)? Para um jogo que te incentivou, desde o princípio, a guardar seu save game para continuar sua história com as mudanças feitas por suas escolhas, é no mínimo frustrante receber um final “afunilado” (aparentemente feito para “matar” todas as suas escolhas e poupar os roteiristas). Aliás, outra grande sacanagem, foi o sistema de “war assets” e galáxia “preparada” para a guerra. Se você tiver bons números, obtém escolhas. No meu caso, como não joguei o multiplayer, mesmo meu Shepard sendo um mané renegado, a única escolha no fim era destruir TUDO (incluindo a terra) e morrer no processo. MEU Shepard, que no fundo compartilhava das idéias do Illusive Man, não obteve a escolha de controlar os reapers. Pô, como assim? Todas as escolhas e sacanagens que fiz durante minha jornada, exterminando uma raça inteira de alienígenas, abrigando os rachni, matando pessoas para conseguir a cooperação dos mercenários com Aria, tudo isso foi jogado no lixo por causa de um sistema autoritário que lhe obriga à jogar o multiplayer para conseguir finais que NADA têm a ver com a preparação (ou falta de) da galáxia para o embate final. O que um exército grande ou pequeno influencia nas escolhas de como vencer a guerra se elas (estas escolhas) são feitas por somente UM personagem (que de qualquer forma chega ao destino)? Quer dizer que só porque minha galáxia não estava preparada para o combate eu não posso salvar a terra? Em quê uma preparação influencia se um raio explosivo gigante acerta somente os reapers ou acaba com tudo? Não dá para entender esse desleixo com o fim do jogo! E, depois dos créditos, ainda me mandam o velho clichê de que, na verdade, uma pessoa estava contando a história (talvez real, talvez não) do comandante Shepard. Ah vá!

FIM DOS SPOILERS

No fundo Mass Effect 3 continua sendo um excelente jogo. Alguns dizem que o que importa mesmo é a jornada pela qual você passa (realmente, é uma jornada MUITO legal), mas eu acho que ficou prejudicada pelo fim (como eu disse, se eu fosse roteirista, o jogo acabaria com todos mortos, falhando no plano de salvar a galáxia, seria bem mais interessante, considerando-se que desde sempre existe o ciclo de 50.000 anos dos reapers). Ainda assim eu recomendaria o jogo (especialmente para quem já jogou os dois primeiros), só deixando uma dica: não se apresse para chegar ao final. Curta todas as missões e “explore” (cof cof) o máximo possível pois existe a probabilidade de você perder o “tesão” depois do final. Como disse um dos editores da IGN no second opinions (cuja opinião concordo agora), nem cheguei à começar uma nova campanha após finalizar o game, coisa que fiz imediatamente após terminar ME2. O problema, aqui, é uma questão de escolhas: que motivação um jogador pode ter para jogar novamente, fazendo novas escolhas e caminhos se todos eles levam ao mesmo lugar? Complicado.

 
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Publicado por em 26/03/2012 em Games

 

Testes de moto ou leitura de números?

Existe um tipo de mudança, lenta e silenciosa, que só percebemos quando é “tarde demais”, embora eu torça para que esse não seja o caso. Hoje vou falar sobre uma dessas coisas: testes de moto.

Em 2007, quando comprei minha YS250 Fazer e fui mordido de vez pelo “bichinho” transmissor do vício em motos, comecei à me interessar mais por notícias e testes, procurando referências sobre o mundo das motos (passando inclusive por várias fases desde então, como descrevi aqui).

Logo de cara, ao procurar informações sobre a Fazer, conheci o motonline, uma excelente revista eletrônica sobre motocicletas cujo editor (e “testador”) era ninguém menos que Geraldo “Tite” Simões, um dos jornalistas mais conceituados quando se fala em avaliações. Ele, ao contrário de outros pilotos até então, produzia textos que refletiam a utilização convencional de um motociclista, até porque era exatamente o que fazia para testar a moto: passava uma semana (muitas vezes até mais) com a unidade de teste que lhe entregavam, fazendo de tudo com ela: trabalho, trânsito, passeio, chegando até à torturar algumas nakeds em estradas de terra! Devido aos testes diferenciados (que contavam desde a utilização da motocicleta até o cardápio escolhido para as jantas fora de casa) o site cresceu, atraindo e fidelizando um enorme número de leitores, prova então de que havia interesse por esse tipo de avaliação menos “formal” (e mais próxima de nosso uso).

Como o site era independente e praticamente administrado pelo Tite (as principais matérias e testes eram feitos por ele) não havia qualquer compromisso em manter boas relações com as fábricas, em que me refiro à falar bem de suas motocicletas nos testes (prova disso foi a briga entre Tite e um “marketeiro” da Yamaha na época do lançamento da Fazer). Assim, tínhamos em nossas mãos os testes mais verdadeiros possíveis: o que era bom era citado mas o que era ruim merecia destaque (afinal, queremos saber quais os problemas das motocicletas em um teste) com direito, inclusive, à opinião particular do jornalista, que elencava as mudanças que faria em sua “suposta” moto (do modelo testado).

Mas a vantagem incontestável desses testes eram a descrição das características do modelo avaliado de acordo com o nosso uso: não havia uma preocupação tão grande com a leitura e produção de números, fossem de frenagem, aceleração ou velocidade final. As impressões ao se andar na motocicleta (afinal, não temos um leitor de números em nossas cabeças para saber o que está acontecendo quando estamos pilotando) é que eram prioridade. Se a moto tinha muito torque, bastava citar o “coice” ou as derrapadas, e se era “xoxa” em baixas rotações as dores no pulso causadas pelo excesso de uso da embreagem denunciavam. Claro que os números eram citados, mas não de maneira tão importante (até porque, todo teste que se preze, traz a ficha técnica do modelo avaliado ao fim). Lembro-me até hoje de um comparativo realizado entre 3 categorias de super esportivas: 600 (CBR), 750(Srad) e 1000(R1) no qual, apesar de realizar o “tira-teima” em um autódromo, comentava sobre como se sentiu com as motocicletas na estrada, inclusive em relação ao (minúsculo) conforto do banco, dando ganho de “causa” à R1 por ter mais “espaço” para o piloto. Oras, se menos de 5% dos proprietários de motos SS têm acesso à um autódromo por que é que os testes não citam o uso dessas motocicletas no dia-a-dia ou em passeios na estrada como o motonline fazia? Mais engraçado ainda foi quando testaram a CG150 Sport em um autódromo, contrariando a tendência (da época) em testar utilitárias (e somente estas) nas ruas.

Essa falta de foco na utilização comum é algo que realmente me incomoda nos testes atuais (motivo pelo qual escrevi este post). Você realmente acha que o motociclista que passeia na praia de bermuda com sua esportiva quer saber quantos milésimos de segundo uma moto é melhor que a outra em um autódromo? O que eu gostaria de saber, caso estivesse pensando em adquirir uma máquina dessas, é se ela esquenta demais andando devagar (fiquei sabendo que é inviável trafegar à 100km/h com a R1), como o motor dela reage em baixas rotações, se é possível trafegar dentro da velocidade legal sem engasgadas (e quantas marchas eu preciso “descer” para fazer uma ultrapassagem, SE preciso). Os pilotos não mais se preocupam em dizer o que sentiram com a moto, somente do que ela é capaz.

E a garupa então, coitada? Muitos editores por aí sequer sentam no banco do carona da motocicleta com ela parada, imagine andando! Como você poderia afirmar se uma garupa é confortável ou não sem ter testado? Cansei de ler testes onde o motociclista claramente comenta sobre o banco do carona baseado no que vê, não no que sentiu. Falta, inclusive, comentar sobre o comportamento da motocicleta com garupa, algo muito importante para quem não consegue alvará da patroa para passear “solito”. Tite, por outro lado, levava suas filhas à escola/faculdade, ou sei lá onde, na garupa das motocicletas e tinha base para comentar sobre o banco (pois ouvia comentários de quem havia testado a coisa). Os comparativos de moto também eram um show à parte em termos de parcialidade. Sim, eu disse parcialidade.

Cada motociclista tem uma opinião, um gosto, um tipo de motocicleta que lhe satisfaz em seu uso melhor do que as outras. Era claro, pelo que comentava Tite, que tipo de moto fazia mais seu estilo (um cara que prezava conforto e versatilidade acima de status, design e potência), assim, ao final de comparativos, ele podia dar sua opinião sobre qual moto havia lhe agradado mais (como no teste entre Hornet e Xt660) sem ficar preocupado com o que as fábricas pensariam a respeito. Testes atuais, por outro lado, forçam um resultado equilibrado em suas conclusões, deixando a escolha para o leitor e se isentando da responsabilidade de eleger uma “melhor”, o que pode ser um tiro saindo pela culatra. Quando um motociclista procura por comparativos entre dois (ou mais) modelos, ele quer saber qual veículo seria escolhido pela revista, site, testador, etc. É muito fácil para quem acompanha o mercado saber que uma Bandit 650 tem o comportamento mais linear e dócil que uma Hornet, mas qual o piloto levaria para casa e por quê? Isso explica, em parte, o motivo de sites como o Best Cars, que mantém uma página de testes e depoimentos feitos pelo consumidor final, serem tão procurados hoje em dia, deixando testes de revistas em segundo plano.

Sou assinante da revista Duas Rodas há dois anos e penso seriamente em não renovar minha assinatura da próxima vez, justamente por causa do rumo que os testes de moto estão tomando. Se fosse para ler números eu procuraria uma ficha técnica. Aceleração de 0-100km/h não influi em nada em meu uso (a menos que eu seja um piloto profissional), mas as sensações que o editor tem ao pilotar a moto, essas sim, muito me interessam. Aliás, Tite sempre disse que medidas de aceleração eram puramente marketeiras, assim como a velocidade máxima. O que interessa é como determinada motocicleta atinge esta velocidade. Ela é estável? Passa segurança? E em buracos e estradas remendadas? Tem conforto? Faz ruídos chatos? Como se comporta em velocidade de cruzeiro em nossas rodovias? Pega fácil em dias frios? Demora para esquentar? Esquenta demais? Como é a iluminação do farol à noite? Qual a potência dele? Faço todas essas perguntas mentalmente quando leio um teste de moto e, em geral, fico sem as respostas. São informações que influem na utilização da moto para qualquer motociclista, não somente adeptos dos track-days por aí, e mesmo assim são ignoradas. E por favor, parem de fingir que donos de motos de quase 200cv andam à 120km/h por aí.

O principal motivador deste pequeno desabafo, verdade seja dita, foi o recente teste realizado pelo motonline com a CB300R que jogou fora o principal motivo de terem se tornado o que são hoje: informação imparcial (no que toca à fidelidade de marcas). Nele, derretendo-se feito açúcar na chuva, o editor se declarava para a motocicleta, elencando suas várias qualidades, assinalando que o grande número de vendas era prova incontestável disso, sem citar um defeito sequer. Minto. O problema de vazamento de óleo foi abordado, enfatizando-se que era algo pequeno e sem importância. Mas sem importântia pra quem? Para a fábrica e desempenho da motocicleta? Talvez, mas e para o consumidor que adquiriu uma motocicleta 0km, depositando sua confiança em uma marca teoricamente líder em qualidade, que teve que retornar várias vezes à oficina? E o stress? Como fica a satisfação do consumidor (principal interessado no teste) com o produto? Vale menos que o desempenho ou marca do veículo? O feedback extremamente negativo gerado por essa matéria é prova de que esse tipo de teste já deveria estar com os dias contados. Mesmo donos e ex-proprietários (como eu) desta Honda fizeram questão de frisar os defeitos da motocicleta, quais eram as suas expectativas quando a adquiriram e os sufocos que tiveram que passar com ela, tratando de consertar um ponto em que a avaliação pecou quando decidiu deixar o leitor em segundo plano, em prol de manter um bom relacionamento com a fábrica. Acho que nossos apelos por testes mais parciais foram entendidos errados pela mídia: não queríamos que nenhuma marca fosse defendida e sim que opiniões fossem declaradas.

Que fique, então, um último apelo aos editores e pilotos formadores de opinião: parem de praticar a leitura de números e voltem a testar motos!

 
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Publicado por em 13/03/2012 em Motos

 

Análise – Xperia Mini Pro Sk17i

Em uma bela noite, comendo uma deliciosa pizza de milho (minha favorita) em um restaurante aqui da minha cidade, eis que, ao me acomodar na mesa, devidamente trajado com meu short de bolso lateral, pressiono (obviamente sem querer) a tela do meu querido H2000 chinês contra uma quina de madeira e perco meu recém adquirido xing-ling. Decidido à nunca mais retornar aos celulares comuns (vai dizer que não é bom ter um smartphone?) tomei coragem, limpei as sobras de uma poupança mais magra que modelo anoréxica e comprei, 10 anos após meu primeiro celular, um aparelho que presta.

Em primeiro lugar vamos situar o (daqui em diante chamado assim) Mini Pro. Comprei-o por 510,00R$ no Mercado Livre, o que significa que ele é, na verdade, um modelo “de entrada”, visto que os aparelhos mid-end (como o Galaxy SII) giram em torno dos 1.200,00R$, porém, não podemos concluir o desempenho de um celular apenas pelo preço e posição de mercado, então, decidi fazer um review do garotão.

Como dizia meu pai, eu sou “cheio de nove-hora” e quando finalmente me decidi pelo Mini Pro acabei comprando um branco. Uma dúvida muito cruel me abateu quando estava a escolher qual seria meu primeiro celular decente, especialmente com o Defy+ sendo tão resistente à arranhões, água e quedas, o que poderia me salvar de tomar outro prejuízo mais adiante. Embora seja um aparelho tecnicamente igual ao Mini Pro em termos de processamento e memória RAM, existe uma diferença fundamental entre os aparelhos: enquanto o Mini Pro conta com teclado QWERTY físico, o Motorola possui “apenas” o teclado touch, com sua tela de 3,7′, contra a tela de 3,0′ do Mini. Como eu estava sofrendo um pouco para me acostumar em digitar na tela de 3,5′ do meu H2000, preferi optar pela comodidade de ter um teclado físico (no qual, diga-se de passagem, sou mais rápido e preciso para digitar). Vale lembrar ainda que em minha pesquisa pelo mercado livre o melhor preço encontrado (com boas referências) foi de 670,00R$, uma diferença considerável de 130R$ (dá para pagar um frete via sedex e ainda festar um final de semana).

O Sk17i já vem com a versão Gingerbread do Android e conta com um processador rodando a 1.0Ghz e memória RAM de 512mb, além de uma memória interna com 320mb de espaço para instalação de aplicativos (o Defy+ sai na frente nesse quesito ao oferecer 2Gb). Isso pode ser corrigido facilmente com um cartão SD porém, como todo entusiasta sabe, um cartão jamais terá o mesmo desempenho da memória interna de um smartphone.

Ao ligar o Mini Pro logo de cara já notei uma pequena diferença em relação ao meu xing-ling. A interface do telefone foi customizada pela Sony e agora conta com quatro slots nos cantos da tela, onde é possível colocar 4 atalhos (em cada). A idéia até é boa mas sinceramente não gostei. Preferiria ter a opção de desabilitar esses cantos de atalho para ter a tela toda à disposição para organizar meus atalhos (até porque a tela é pequena). E ainda tratando da tela (que é capacitiva), fiquei extremamente satisfeito com o desempenho, surpreso, na verdade. Não que o H2000 fosse ruim nesse aspecto (tela resistiva), mas a diferença é gritante: basta um suave toque e a tela responde prontamente. Associe essa tela à tecnologia BRAVIA da Sony e você tem imagens muito mais nítidas e um brilho muito forte, tão forte que mesmo em ambientes claros não consigo utilizá-lo no máximo. Realmente me surpreendeu a definição das imagens, mesmo com a tela diminuta.

Outra grande diferença de comportamentos entre meu “antigo” chinês está no desempenho. O celular rodou todos os aplicativos com performance muito superior ao que eu esperava. Para se ter uma idéia, o hardware do Sk17 é o mesmo que equipa o Xperia Play, que é um aparelho voltado para a jogatina. Se levarmos em consideração que ele precisa “dar conta” apenas de uma telinha de 3 polegadas já dá para imaginar como ele se comporta. A título de curiosidade (pois não sou um adepto de jogos em celular, meu PC segue imbatível) instalei em meu Xperia o jogo Dead Space, lançado inicialmente para ios e, mais tarde, portado para nosso querido Android. O aparelho aguentou o tranco: rodou o game sem engasgos e nem foi preciso apelar para meu task killer para liberar memória, muito bom mesmo!

Quando você fala em aparelhos da Sony Ericsson (que agora é só “Sony”), a primeira coisa que vem à mente é a qualidade de reprodução de mídia e com o Mini Pro não é diferente. Ele vem com um player de áudio bem bacana e fones de ouvido com uma qualidade sensacional (acho que são os mais fiéis que já experimentei, em se tratando de fones portáteis, claro). O único contra é que você não consegue navegar no player por pastas, somente por artistas ou uma listona geral. Em contrapartida, é possível organizar uma lista de reprodupção (na unha, música por música) e salvá-la para reproduzi-la sempre que quiser, o que dá um certo trabalho especialmente para quem, como eu, está acostumado à organizar suas músicas por pastas. Outra coisa legal é que, por ter um hardware robusto para a categoria, ele consegue reproduzir videos em HD (720P). Não que seja uma vantagem extraordinária em sua tela “econômica”, mas já é algo interessante.

E falando em videos, sua câmera é excelente (considerando-se que ela possui “apenas” 5Mpx), e filma em 720P a 30 frames por segundo. Não gostei muito da qualidade de gravação de som dela mas achei a imagem até legalzinha nos videos (embora a lente deixe entrar muita luz).

Em relação ao aparelho em si, ele é um pouco pesadinho e “gordo”, nada muito exagerado, inclusive me lembrei do saudoso “neo” da Nokia (um dos mais cobiçados aparelhos de sua época). O teclado é acessado deslizando-se a tampa traseira e a pegada é bem confortável graças ao formato meio “arredondado” do Mini Pro. Na hora da digitação os dedos estão sempre em posição confortável e a tela gira automaticamente para o modo “paisagem” ao se abrir o teclado. Um dos aspectos negativos deste teclado separado por um slider é uma pequena folga que ele tem em relação à parte de cima. Às vezes, quando se utiliza o celular com a tampa fechada (pela touchscreen) você tem a impressão de que falta um “calço” no telefone, como quando senta em uma cadeira com um dos pés menores, se é que você me entende. Ah, vale lembrar que meu Mini é o Sk17i, cujo teclado não possui cedilha (basta manter “c” pressionado por 2 segundos). A versão nacional do aparelho, SK17a, vem com o dito cujo à um custo mais caro, obviamente por ser “nacional”.

Afora esses pequenos detalhes a Sony continua com sua qualidade inquestionável no acabamento. O aparelho é bonito e os botões e tampas são de fácil acesso, embora eu tenha lá minhas dúvidas se a tampa traseira, que segura o teclado, continuará firme após um certo tempo de uso. Antes que eu me esqueça, existe um pequeno paradoxo que me deixou “curioso”: a Sony anuncia que a tela do Sk17 possui proteção anti-risco mas fornece uma película dentro da caixa do aparelho. Estranho. Como sou macaco velho tratei de colocar a película antes mesmo de ligar meu celular.

No geral eu creio que seja um ótimo celular para se começar no mundo dos Smartphones, tem multitouch (ótimo para navegar devido ao seu zoom estilo “pinça”) e uma bateria comum (em uso extremo você vira o melhor amigo do carregador) com a qual, com meu uso moderado (bem moderado), consigo passar o dia tranquilamente e ainda chegar com 60% de carga em casa. Seu desempenho, especialmente considerando-se o preço, supre bem as necessidades de qualquer usuário (desde que não seja um fanático por benchmarks). Além disso, seu kit multimídia, em que incluo qualidade de fotos, gravações e software (bem como os excelentes fones de ouvido) são um show a parte. Enfim, eu realmente recomendo este celular se você não faz questão de uma grande tela. Navegar pode ser um pouco complicado com ele mas a utilização “padrão” (e-mail, facebook, twitter, msn, etc..) é tranquila.

Antes que eu me esqueça, abaixo segue uma foto tirada da garagem do meu trabalho com o Mini Pro, para se ter uma noção da qualidade das fotos (Clique para ampliar)

 
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Publicado por em 06/03/2012 em Tecnologia

 

O evangelizador e o respeito

Nossa querida e amada pátria, segundo seus próprios inquilinos (quem paga para morar não é dono), é o país da variedade saudável (sic) de povos e cultura. Também, pegando um gancho nessa teoria, podemos afirmar que é o país da hipocrisia.

A palavra “respeito” tem sido amplamente comentada e difundida por aí, porém eu percebo que há uma certa confusão quanto ao seu significado. O que é verdadeiramente respeitar uma opinião? “Eu respeito sua opinião” não combina com a situação se uma série de argumentos for jogada em seguida. Aliás, o grande “vilão” deste post tem muito à ver com isso: pessoas “evangelizadoras”. Mas antes de tratar delas, vamos falar mais um pouco sobre “respeito”.

Quando eu concordo com a opinião de alguém eu não estou respeitando essa opinião, estou concordando. Por outro lado, quando discordo tenho a opção (infelizmente) de respeitar ou não. Quando você tenta convencer a pessoa, a todo custo, de que a sua opinião está correta, independente de quantos argumentos, fatos, provas e testemunhas você tenha, você não a está respeitando. Existe uma diferença entre um papo descontraído entre amigos (de onde surgem as mais cabulosas defesas para teorias igualmente macabras) e algo que mexe com seu íntimo, como uma religião/crença. Então, o que é de fato respeitar uma opinião (e aqui vamos focar na opinião sobre religião/crença)? Muito simples: embora você possa não concordar com a crença alheia, não irá tentar mudar a cabeça de uma pessoa sobre o assunto. Isso é respeito. É aceitar que o outro pense diferente.

Sabe aquela velha máxima de que política, futebol e religião não se discute? Pois é. O grande “x” da questão aqui é que, quando se trata de religião, as pessoas se ofendem (não faz sentido, eu sei). Eu tenho uma opinião bem conservadora (em que quero dizer que procuro não expor minha opinião) em se tratando de crenças pois se uma pessoa fala sobre Deus comigo e eu lhe revelo minha opinião, acabo passando por chato ou a ofendendo (involuntariamente, claro). Antes de prosseguir e entrar nos pontos mais cruciais é bom deixar claro que eu acredito em Deus.

Que ninguém seja forçado à crer em mim.

Pois bem, resolvidas as possíveis barreiras de que eu seria mais um “ateu” revoltadinho blogando asneiras por aí, vamos voltar ao foco: pessoas que “evangelizam” se ofendem quando é exposta uma opinião que vai em direção contrária à delas mas nunca, jamais, se tocam de que podem estar ofendendo, digamos, um budista, ao insinuar que ele poderá ir para o inferno caso não “viva” pela palavra de Deus. Afinal, por que essa necessidade tão grande de auto afirmação? Você já viu um budista ou espírita saindo nas ruas para pregar ao “público”? Sua doutrina está lá, acessível para quem tiver interesse/curiosidade, mas ninguém o forçará à acreditar em nada. Os cristãos (e talvez a galera de Alá, cujos princípios não me são familiares), por outro lado, têm a “missão” de espalhar sua religião pelo mundo. E não pára por aí: eles não estarão satisfeitos enquanto não o levarem para sua igreja (ou matarem os infiéis, nos casos mais extremos).

Transfere a ligação pro Buda, por favor, estou afim de ouvir Nirvana.

E sabe que eu acho que o problema vem desde o berço? A própria sociedade se encarregou de formar um ambiente propício à isso. Nas escolas uma matéria chamada “ensino religioso” por muitas vezes é deturpada e vira “ensino cristão”. Pobre criança islâmica que não tem a mínima chance de se expressar (ainda bem que, segundo as más línguas, essa tal matéria não pode ser motivo de reprovação). Vivemos em um país onde a maioria esmagadora da população é cristã (mesmo que estejam espalhados entre católicos e evangélicos) o que implica que, a todo momento, “sofremos” interferência de referências religiosas. Duvida? Qualquer cursinho que você faça que tenha uma introdução ou mensagem final com aquelas odiosas apresentações em Power Point fecham sempre com um comentário de que para vencer só tem um jeito: Jesus. Tá, mas e quem não acredita em Jesus? E como fica a turma do Buda? Estão fadados ao fracasso e sofrimento, é isso? Já pensou dar uma palestra internacional para uma platéia composta exclusivamente de islâmicos e não se tocar de que, no fim da apresentação, aquilo que deveria ser motivacional estará desrespeitando a religião dela? É mais ou menos por aí o que sinto.

O que eu realmente não entendo é essa ânsia de querer que as pessoas pensem como você e, pior, acreditem nas mesmas coisas. Todos pregam a diversidade pois o mundo “seria uma chatice se fôssemos todos iguais” mas na hora de falar de religião, ah, aí a coisa muda. Por quê? Se você crê em Deus e em seu evangelho, ótimo, siga os ensinamentos da bíblia e viva uma vida correta, justa, e ajude esse nosso país à deixar de ser uma nação de filhos da puta. Mas crer em algo não lhe dá o direito de impor isso à ninguém, mesmo que seja da sua família. Especialmente se for da sua família. Ensine e promova o respeito, não a religião.

Quando uma pessoa comenta dizendo que “se for da vontade de Deus, acontece” ela está me ofendendo, ainda que não saiba. Não dá para conversar com uma pessoa dessas porque, ao primeiro sinal de algo que não entendem, jogam a responsabilidade para o Criador e consideram o assunto como encerrado. Quando alguém morre é vontade de Deus, quando alguém sara é um milagre, se acontece algo bom foi Deus e quando é ruim, obviamente, a culpa é do tal do diabo. E o triste mesmo é quando um comércio vai bem “graças à Deus” (e por trás uma parcela dos impostos são sonegados).

O ser humano, por outro lado, parece estar isento das consequências de suas ações. Se um jovem dirigiu bêbado e morreu a culpa não é dele, mas sim de Deus, cuja vontade nós “desconhecemos” (onde foi parar o Deus da vida?). A verdade é que os grupos moldam suas crenças de acordo com suas necessidades e vontades (na maioria dos casos). É muito mais fácil justificar com a vontade Daquele que pode tudo do que refletir sobre os motivos que causaram o problema. O Deus da paz, amor e justiça, com seu poder infinito, jamais teria humildade para abrir mão de interferir em nossas vidas, certo Livre Arbítrio?

Vende-se.

Meu chefe costuma citar em seus discursos pré/pós reunião que existem 3 motivos para se fazer guerra: políticos, geográficos e religiosos. Deixando os dois primeiros de lado dá para perceber (se você conhece um mínimo de História) que uma enorme parcela das guerras foi causada por tentativas de se impor um credo.

Em uma época recheada de escândalos com igrejas, sabe qual imagem você passa quando sai na rua, batendo de porta em porta ou criando uma poluição sonora com seu megafone? Fica implícito que você está tentando arrastar mais pessoas para sua igreja (pois dá mais lucro). Não se ofenda, estou apenas deixando visível o que as pessoas pensam. Outro dia, navegando na internet, achei uma camiseta muito bacana que dizia “Pequenas igrejas, Grandes negócios”, uma paródia inteligente com aquele programinha dominical sobre pequenas empresas. Acabei não comprando justamente pela questão do respeito: independente do que eu pense (ou não) sobre igrejas, isso é algo que devo guardar só para mim, assim como minha crença e opinião sobre o assunto, pois se eu me ofendi quando disseram ter pena de mim por não frequentar nenhuma igreja, não é correto que eu rebata da mesma forma arrogante e prepotente. Mais justo, então, ficar calado, afinal, está escrito: “se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra“.

 
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Publicado por em 05/03/2012 em Desabafo